

O Felipe tem 19 anos. Nasceu sem as duas pernas e sem os dois braços.
E é ele quem traz o que vai pra mesa em casa.
Faz dois anos que ele passa das oito às cinco na calçada de uma avenida, com o balde no colo. Não consegue empurrar a cadeira. Não consegue nem segurar o cartaz.
Em casa são a mãe, o Felipe, e três irmãos menores. O Davi, o do meio, tem autismo severo. Não fala. A mãe não consegue trabalhar fora — o Davi precisa dela do lado o tempo todo.

O Miguel é o menor, tem 4 anos. Toda tarde ele senta na porta esperando o Felipe voltar.
Uma senhora sugeriu a ele que vendesse paçoca na rua — caixa aberta no colo, as pessoas pegam sozinhas e deixam o troco. Se tivesse uma cadeira motorizada de controle de queixo, ele sairia de casa sozinho. Rodaria bairros diferentes. Não estaria mais pedindo. Estaria trabalhando.
A cadeira custa o que ele junta em seis meses de balde.
O Felipe já passou dois anos no chão daquela avenida pelos três irmãos. Nunca abaixou a cabeça de quem passou.
Se quiser fazer parte dessa história, tudo que conseguirmos aqui em baixo, vai direto para a cadeira pro Felipe!

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